Brucelose bovina: o que é e como evitar

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Entre as doenças que causam grande impacto econômico na pecuária está a brucelose bovina. Por ser infectocontagiosa, é causada pela bactéria B. abortus, ocasionando aborto nas matrizes que são contaminadas. Confira os sintomas e como evitar o problema na sua propriedade.

Existem várias doenças que acometem o gado, algumas mais graves ou nem tanto. Independentemente do nível de gravidade, é obrigação do pecuarista evitá-las ao máximo. Em primeiro lugar, quando identificadas em estágio avançado, a morte daquele animal pode ser inevitável.

Ou seja, o resultado é prejuízo na certa. Em segundo lugar, ter bovinos para não cuidá-los, não faz parte de uma pecuária de sucesso. O bem-estar animal precisa estar presente todos os dias do manejo, de sol a sol, sem descanso.

Todo esse cuidado garante uma alta produtividade, a partir da produção de um produto final de qualidade e diferenciado dos concorrentes.

Pensando em otimizar seu tempo e melhorar seu lucro, a Boi Saúde reuniu as principais dúvidas sobre brucelose bovina. Dessa forma, você terá condições de se prevenir da melhor maneira possível e proporcionar uma vida saudável para seu rebanho.

 

 

Saiba tudo sobre a brucelose bovina 

O que é a brucelose bovina? 

É uma doença transmissível por meio da bactéria B. abortus. É considerada infecto-contagiosa.

Esse germe fica localizado no útero, placenta e até no úberes das vacas já consideradas doentes. No caso dos bovinos machos, se aloja nos testículos.

Infelizmente atinge os bovinos e também outras espécies, incluindo a humana.

 

Como é transmitida? 

Mas como o bovino se contamina? A principal forma de adquirir o germe é via oral. Um dos casos é quando o bovino que não está doente, lambe a genitália de outro que já está contaminado. Ou ingerindo alimentos contaminados. Os animais já doentes urinam no pasto, que passa as bactérias para a forragem.

Além da urina, fezes também são focos de contaminação. Quando uma matriz contaminada tem a cria e os restos da placenta, líquidos e demais materiais fetais ficam no solo e outros animais entram em contato por meio da ingestão.

Outra forma de introdução da bactéria na propriedade é a partir de um novo animal inserido no plantel recentemente que não tenha passado por testes. Inclusive, esse é o principal meio de contaminação.

Então, desde o início do conteúdo alertamos: sempre que comprar um novo bovino, independentemente do sexo, faça uma boa avaliação na saúde antes de inserir juntos aos demais no plantel.

 

Quais são os sintomas? 

Quando a matriz está contaminada, o aborto é o sintoma mais grave. Geralmente acontece no último terço da gestação. Porém, não é o único problema. Outros como retenção de placenta, inflamação nas articulações também se apresentam. O nascimento de bezerros fracos, sem a saúde adequada para crescimento, está na lista.

Nos bovinos machos, inflamação nos testículos e até infertilidade podem acontecer.

No caso do gado de leite, a produção de leite é afetada com uma redução considerável na quantidade. As propriedades que trabalham com reprodução também sentem uma queda no nascimento de novos bezerros.

Amigo pecuarista, mais que perder produtividade, temos sempre que reforçar que todos esses sintomas prejudicam a vida e bem-estar dos animais.

Assim que o produtor e os demais responsáveis pelo manejo detectarem algum comportamento fora do comum, separe imediatamente esse animal dos outros. Além de não medir esforços para identificar a doença e iniciar o tratamento indicado pelo seu veterinário de confiança o mais rápido possível.

 

Como evitar a brucelose bovina? 

A forma mais conhecida é a vacina B19. Deve ser aplicada somente nas fêmeas entre três a oito meses. A dosagem é de 2 ml por animal, via subcutânea na tábua do pescoço. Pode ser reaplicada a cada sete anos para reforçar a dose. A B19 é a mais comum no Brasil.

Porém, existe outra que também é muito utilizada no combate à brucelose bovina. A RB51 é amplamente utilizada nos Estados Unidos, Chile e Uruguai.

E como toda vacina, seguir os protocolos de aplicação garante uma maior eficácia do produto aplicado. Considere sempre fechar o gado com a máxima segurança possível. Oriente muito bem a equipe quanto ao local de aplicação e também as condições de higiene da agulha.

Encare sempre a compra de vacinas como um investimento. Sempre atualize a planilha de controle de contas a cada aquisição de insumos e venda também.

Para fazer esse controle considerado o mais adequado para suas finanças, receba um modelo de planilha próprio para a pecuária: clique aqui para receber grátis a sua.

Caso tenha dúvidas sobre vacinas, te ajudamos nesta dica: Vacinas para bovinos: confira perguntas e respostas. 

Outras formas de prevenção 

Outra forma de prevenção é manter a higiene na propriedade sempre em dia. Fezes, lama, água contaminada, são propícios para proliferação de bactérias.

Manter a nutrição da matriz em dia também garante uma reforço no organismo do animal. As matrizes tem grande necessidade de cálcio e fósforo durante a gestação. Saiba a importância desses suplementos: Por que devo oferecer cálcio e fósforo para bovinos?

Faça uma boa vistoria uma vez ao ano, pelo menos. Quando algum bovino for diagnosticado, direcione o animal para o abate. E em caso de suspeita, o rebanho que passar por exames, mesmo com resultado negativo, devem repetir o processo após três meses para confirmação que estão livres da brucelose bovina.

Alguma vaca sofreu aborto? Separe-a das demais e investigue uma possível causa. O feto resultado do aborto não pode ser descartado de qualquer forma. Como é uma doença causada por uma bactéria, o enterro desse material é o mais indicado.

Tudo o que entrou em contato com esse feto e até mesmo com os líquidos e membranas passam por uma desinfecção. Utilizar produtos como cal e creolina já resolve bem a eliminação do germe. Assim, a contaminação tem chances menores de acontecer.

 

Brucelose bovina: o que é e como evitar
Brucelose bovina: o que é e como evitar – Foto: Boy Fotógrafo

Como é feito do diagnóstico? 

Existem dois tipos de testes de diagnóstico da brucelose bovina:

  • Testes de rotina – realizado para detecção de rebanhos infectados, saneamento de propriedades e trânsito de animais;
  • Teste confirmatório – obrigatório para trânsito internacional realizados por laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Quando chegar ao ponto de diagnosticar algum animal da propriedade, acione o seu veterinário de confiança. Esse profissional é o mais indicado para te orientar qual o melhor teste e os próximos passos para que os demais não sejam contaminados.

 

Existe tratamento? 

Infelizmente, não existe. Os animais com teste positivo precisam ser marcados e abatidos para evitar contaminação dos demais.

Como não existe tratamento, manter todas as atividades preventivas garante esse problema.

Seguir o calendário sanitária à risca, previne essa e outras doenças.

Outra indicação é que a higiene de toda a propriedade entre no calendário de atividades de rotina. Entendemos que existe muito a ser feito todos os dias. Mas a pecuária de sucesso é feita com detalhes.

Por isso, não deixe de fazer rondas constantes para identificar qualquer comportamento anormal do gado. E ainda, dar a chance para se evitar sofrimento animal.

 

Por que precisamos controlar a brucelose bovina? 

O impacto econômico da brucelose bovina na pecuária brasileira é muito grande.

Os prejuízos na perda de produção de carne e leite giram em torno de U$ 448 milhões, no ano de 2013, segundo estimativas.

Já pensou todo esse dinheiro investido em melhorias para contribuir com a produção de melhores produtos. Ou até mesmo dar oportunidades para que pequenas propriedades exportem carne e leite para outros países?

Vamos fazer a nossa parte prevenindo a brucelose bovina e muitas outras com ações diárias.

Como a nossa rotina é pesada, distribua as tarefas para os funcionários igualmente. Todos os pontos de atenção precisam ser atendidos. Nem só de cocho abastecido vive uma pecuária de boas arrobas.

Então, programa-se. Faça com que todas as atividades sejam feitas. Ouça a sua equipe e treine-a também.

 

Contaminação em humanos 

 

Pois é, amigo produtor, deixando sua propriedade e animais protegidos contra a brucelose, você, sua família e funcionários também estarão. Há possibilidade de contaminação de humanos, principalmente, aqueles que tem contato com os animais doentes pode acontecer. A orientação é nunca tocar diretamente feridas, excreção o secreção de forma desprotegida.

 

Certificação de propriedade livre de brucelose bovina 

 

A propriedade apta a receber a certificação é aquela onde todos os animais são testados e o resultado para todos eles seja negativa em três testes seguidos, realizados com intervalo de 12 meses cada um. Assim, estará em boas condições para receber o selo de qualidade sanitária.

Mais de 500 mil pessoas são diagnosticadas com brucelose por ano em todo o mundo. Entretanto, estima-se que esse número seja bem maior, pois muitos casos não são descobertos. O diagnóstico é considerado difícil, o que justifica esse número.

E nós, como produtores rurais, que abastecemos a mesa dos brasileiros em todas as refeições do dia, precisamos nos conscientizar sobre esse grave problema.

Além da brucelose bovina, a Boi Saúde promove conhecimento para que o Brasil esteja sempre em destaque na pecuária.

Dicas muito simples e que resolvem problemas que impactam nossa produtividade estão disponíveis gratuitamente aqui no nosso blog.

Mas se você prefere dicas em vídeo, nós temos também. Acesse e tenha condições de aumentar seu lucro a cada safra: Boi Saúde no YouTube.

 

Referência

Brucelose. Agência de Informação Embrapa. Agronegócio do Gado de leite. 

ROSINHA, Grácia Maria Soares. Artigo: Desafios e perspectivas da brucelose bovina. Embrapa Gado de Corte.

 

 
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