Mulheres comandam 30% do agronegócio no Brasil

Segundo pesquisa da Abag, número de homens atuando no setor diminuiu 11,6% entre 2004 e 2015

Com cada vez mais espaço no agronegócio, as mulheres já respondem por pelo menos 30% dos cargos de gestão em empresas do setor, segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) em parceria com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. O estudo apontou que a participação da mulher no mercado de trabalho do agronegócio cresceu consistentemente entre 2004 e 2015, passando de 24,11% para 27,97%. Já o número de homens atuando no setor diminuiu 11,6%.

“Apesar da informalidade do setor, percebemos que a cada dia as mulheres buscam melhorar sua qualificação profissional, através de cursos, palestras e troca de informações com outras mulheres do setor. Em minhas palestras e consultorias pelo país, percebo uma preocupação muito maior pela busca de aprendizado e qualificação”, afirma Vanessa Sabioni, fundadora da rede AgroMulher, engenheira agrônoma e Mestre em Fitopatologia.

Segundo a pesquisa, o aumento da participação feminina no agronegócio ocorreu na categoria de empregadas com carteira assinada, principalmente entre 2009 e 2013, o que contrasta com o nível de informalidade acima da média no setor. “Este estudo apontou que o aumento da participação feminina no setor foi impulsionado por trabalhadoras com um maior nível de educação formal, o que indica uma evolução atrelada a empregos que demandam maior qualificação”, aponta Débora Toledo, economista na AMG Capital e mentora de projetos econômicos da rede AgroMulher.

 

Mulheres comandam 30% do agronegócio no Brasil
Mulheres comandam 30% do agronegócio no Brasil. – Foto: Reprodução ABAG

Para segmentar a cadeia produtiva do agronegócio, foi utilizada a classificação “antes”, “dentro” e “depois da porteira”. “A expressão ‘antes da porteira’ refere-se a tudo que é necessário à produção agrícola, mas não está na fazenda. É aquilo que o produtor rural precisa comprar para produzir: todos os insumos, máquinas, defensivos químicos, fertilizantes, sementes, frota, por exemplo”, explica Sabioni.

Já o termo ‘dentro da porteira’ refere-se à produção, como plantio, manejo, colheita, beneficiamento, manutenção de máquinas, armazenamento dos insumos, descarte de embalagens de agrotóxicos e mão de obra. Enquanto que ‘depois da porteira’ faz referência à armazenagem e distribuição, incluindo a logística.

Sabe-se que 73% das mulheres do agronegócio atuam dentro da porteira, sendo 58% das mulheres proprietárias ou sócia das propriedades, representando algo em torno de 4,5 % do PIB. “Dessa forma, podemos concluir que estamos diante de grandes fortunas administradas e geridas por mulheres que ainda não recebem a devida atenção e reconhecimento pela relevância econômica na economia brasileira, muitas vezes sendo desprezadas pelos bancos e instituições financeiras que atuam em Wealth Management, a gestão de patrimônio”, observa Toledo.

Outra informação importante, segundo a economista, é que 34% das mulheres do agronegócio já possuíam famílias atuando nesse segmento. “Dessa maneira, cerca de 2,2% do PIB é gerido por herdeiras que em sua esmagadora maioria não tiveram infelizmente a oportunidade de se preparar para administrar a fortuna familiar”, completa Toledo.

 

Fonte: Portal DBO

Data de Publicação: 06/09/2019

 
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